Planejamento financeiro empresarial: o que é, como fazer e dicas

Foto de Tatiana Michaud
Por Tatiana Michaud
29 min de leitura
01/10/2021

O planejamento financeiro empresarial é o documento que garantir a saúde financeira do seu negócio e um desenvolvimento sustentável. Saiba como fazer!

Não existe muito segredo na hora de pensar a gestão de finanças de um negócio: é fundamental realizar o chamado planejamento financeiro empresarial. Mas por que esse tipo de estratégia é tão essencial?

Ao analisar o comportamento do mercado brasileiro, é possível identificar a falta de planejamento financeiro como uma das principais causas no fechamento de um negócio. Isso acontece porque é inviável pensar no desenvolvimento de uma empresa a médio e longo prazo sem considerar sua movimentação financeira. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 316 mil empresas tiveram suas portas fechadas no Brasil nos últimos quatro anos. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2020 também apontou que o setor de MEIs (Microempreendedores Individuais) é o que mais sofre com essa estatística.

No episódio #54 da 5ª temporada do Código Azul –  podcast sobre finanças e tecnologia da Juno – o Gabriel Falk, nosso Product Manager e também host do cast, comenta sobre o problema da falta de planejamento financeiro dos negócios: 

“Porque uma empresa fecha? Além de você criar um produto que não atende uma dor de mercado, que não entrega valor para o usuário final, um dos pontos é que não teve equilíbrio financeiro, não teve a organização financeira o suficiente pra poder manter a loja pelos diversos meses necessários.”, explica. 

Mas por onde começar a traçar esse tipo de planejamento? Para garantir que o seu negócio não vire uma estatística negativa no mercado, vamos explicar exatamente o que é e como criar um planejamento financeiro empresarial. Vem com a gente!

O que é o planejamento financeiro de uma empresa?

a foto mostra duas mulheres na frente de um computador conversando sobre planejamento financeiro empresarial

É importante ressaltar que o planejamento financeiro faz parte do plano de negócios de uma empresa, e ele vai servir como um guia para determinar se a sua empresa é de fato rentável. 

Como o próprio nome já sugere, a partir dele é possível organizar as finanças do negócio, ter maior controle sobre ganhos e gastos, e ainda determinar estratégias que ajudem a otimizar resultados e, ao mesmo tempo, a minimizar os riscos financeiros.

Em outras palavras, é a partir desse tipo de planejamento que é possível rentabilizar a ideia de um negócio, ou seja, tirá-la do papel com segurança suficiente para se manter no mercado e ter um desenvolvimento financeiro sustentável.

O principal objetivo desse conjunto de ações é possibilitar que a empresa possa sobreviver ao longo de um mês, um trimestre, um semestre e até mesmo um ano e ainda sobrar dinheiro no caixa após o final de cada período.

Para criar esse documento é necessário estabelecer ferramentas de controle que vão ajudar a analisar a situação financeira da empresa e a tomar decisões assertivas sobre as despesas e investimentos que devem ser feitos.

Qual a importância do planejamento financeiro empresarial?

Independente do porte da empresa ou mesmo do seu tempo de mercado, o planejamento estratégico da gestão financeira é fundamental para que o dono do negócio possa fazer análises e previsões acertadas sobre a empresa, além de possibilitar a revisão de processos com o objetivo de identificar se estão sendo rentáveis para o negócio.

Sem esse tipo de planejamento, o gestor da empresa fica no escuro sobre todas as oportunidades do negócio, e também, suas principais ameaças. Ao deixar de analisar os ganhos e custos, até mesmo realizar uma promoção pode colocar a saúde financeira do negócio em risco

Mesmo com toda a importância que o planejamento financeiro representa para a sobrevivência de uma empresa no mercado, muitos negócios deixam esse tipo de estratégia de lado muitas vezes por não terem o conhecimento necessário para criar esse conjunto de ações ou por acreditar que é um processo muito mais complexo do que a realidade no mostra.

No entanto, ao entender as metodologias possíveis para aplicar o planejamento financeiro no seu negócio e estabelecer processos para esse objetivo, fica perceptível como é possível realizar essa trajetória sem grandes dificuldades

Metodologias de planejamento financeiro empresarial

Existem diferentes metodologias que funcionam muito bem na hora de estruturar um planejamento financeiro empresarial, e cada uma delas tem suas particularidades que podem conversar melhor com o seu negócio. 

Para facilitar a sua vida na hora de escolher entre as várias opções, separamos as três principais:

Análise SWOT

A análise SWOT é uma velha conhecida dos profissionais da área de marketing e seu nome tem origem na sigla em inglês que por extenso fica: Strength (Forças) Weakness (Fraquezas) Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). 

Em portguês esse tipo de análise também é conhecida como FOFA, e funciona como uma espécie de ferramenta de gestão que serve para realizar o planejamento estratégico de uma empresa

Essa ferramenta funciona a partir da análise de diferentes cenários para fundamentar uma tomada de decisões mais assertiva. Como a própria sigla sugere, a análise SWOT foca em observar as forças e fraquezas de um negócio, bem como suas oportunidades e ameaças. 

Para fazer isso, é necessário avaliar tanto aspectos internos da empresa como entradas e saídas do caixa, gastos e despesas, dívidas e investimentos, quanto fatores externos, como análise mercadológica, de fornecedores, de concorrentes e até mesmo do macroambiente político, social e econômico em que o negócio está inserido.

A análise SWOT pode ser aplicada em qualquer tipo de planejamento estratégico e é indicada para negócios que realizam o planejamento financeiro empresarial com boa regularidade.

Ciclo PDCA

Mais uma sigla em inglês, a análise do tipo PDCA tem como base quatro etapas distintas que funcionam de forma cíclica. São elas: 

  • P – Plan (Planejar)
  • D – Do (Fazer)
  • C – Check (Checar)
  • A – Action (Agir)

Ainda que estejamos falando em estruturar um planejamento, aplicar o ciclo PDCA no seu negócio não significa se resumir apenas à primeira letra da sigla

Em cada etapa da análise é necessário colocar em prática uma série de processos, de forma que assim que a última etapa do ciclo termina, a primeira já é reiniciada na sequência.

Plan

Na etapa inicial da análise PDCA, o principal objetivo é definir as metas e objetivos do seu negócio. Aqui é importante listar desde investimentos menores, como compras de materiais para o escritório, como também despesas maiores, como a expansão da empresa para novas filiais, por exemplo.

Nesse primeiro momento também é necessário pensar em contratações que podem ser necessárias, compras de softwares e ferramentas, investimento em treinamentos, bem como possíveis objetivos maiores que a empresa deseja alcançar, como por exemplo triplicar o faturamento no período de um ano. 

Do

Agora que os objetivos do negócio a curto, médio e longo prazo já estão bem definidos, é hora de arregaçar as mangas e fazer com que essas metas saem do papel e se tornem uma realidade. 

Nessa etapa de execução, é preciso coletar e analisar dados para cada um dos objetivos determinados, além de treinar e preparar a sua equipe para colocar em prática os planos de ação necessários para alcançar as metas planejadas.

Check

Depois de ter feito a parte mais prática do ciclo, é chegada a hora de parar e fazer uma checagem completa de todos os processos realizados e analisar os resultados obtidos.

Action

Na última etapa do ciclo é hora de ajustar partes do processo que, por algum motivo, não trouxeram os resultados esperados, prevenir erros e fazer correções nos planos de ação para que nas próximas rodadas do ciclo de PDCA o desfecho seja cada vez mais assertivo.

Esse tipo de análise é indicada para todos os tipos de negócio, independente de sua área de atuação ou estágio de maturidade no mercado. 

Como mencionamos anteriormente, esse é um processo cíclico, que visa a melhoria contínua da saúde financeira da empresa. Outra grande vantagem do PDCA é que é uma metodologia muito eficaz para a otimização de recursos e redução de erros.

5W2H

Mais uma sigla para a nossa coleção de metodologias que tornam o planejamento financeiro empresarial possível, o 5W2H funciona como um verdadeiro checklist administrativo composto por 7 perguntas essenciais

  • What? (O quê?)
  • Why? (Por quê?)
  • Where? (Onde?)
  • When? (Quando?)
  • Who? (Quem?)
  • How? (Como?)
  • How much? (Quanto custa?)

Além de ser uma ferramenta simples, o 5W2H é muito intuitivo e flexível. Para organizar todas essas perguntas, você pode criar uma planilha e ir preenchendo de acordo com os objetivos do seu negócio

O segredo é responder as perguntas, sempre colocando um responsável por cada processo na coluna de Who (Quem), e fazer acompanhamentos periódicos dos resultados de cada etapa.

Vale lembrar que nesse tipo específico de metodologia não existe uma periodicidade predeterminada, então é o gestor que define a necessidade de aplicá-la. Sendo assim, ela é mais indicada para fazer a gestão financeira de projetos individuais e pontuais do que para fazer todo o planejamento financeiro da empresa.

Como fazer o planejamento financeiro da minha empresa?

a foto mostra mãos fazendo gestos em frente a tela do computador explicando o que é planejamento financeiro emprearial

Agora que você já tem as principais metodologias em mãos, chegou a hora de escolher um dos modelos, ou até mesmo criar uma combinação entre os diferentes tipos de análise, e de fato fazer o planejamento financeiro do seu negócio. Mas o que é preciso exatamente para fazer isso?

Além de todos os pontos que as metodologias nos mostram, existe uma lógica de processos que deve ser seguida para garantir o sucesso do seu negócio e também o seu desenvolvimento sustentável.

Entenda os pontos-chave que seu planejamento deve cobrir:

1. Defina os objetivos e metas para a sua empresa

O primeiro passo é determinar os objetivos e metas do seu negócio, o que significa questionar o que exatamente você deseja com a sua empresa e onde gostaria de chegar. Sem ter uma resposta concreta para esse tipo de questionamento, não existe forma de criar o planejamento financeiro do seu negócio.

Ainda que sejam respostas essenciais para planejar o futuro próximo, e até mais distante do seu negócio, é normal não ter certeza de como definir esse tipo de propósito. Para te ajudar nesse processo, é importante contar com métodos como o SMART de definição de metas.

Essa metodologia envolve 5 etapas:

  • S – Specific (Específica)
  • M – Measurable (Mensurável)
  • A – Attainable (Atingível)
  • R – Relevant (Relevante)
  • T – Time based (Temporal)

Essa ferramenta também vai funcionar como um checklist, em que cada meta é avaliada e verificada com o objetivo de determinar se tem potencial para atingir o resultado esperado. Para colocar esse método em prática, você criar uma planilha e preencher de acordo com o significado de cada letra da sigla:

Specific

Para começar a definir metas, é importante ser específico quanto ao que o seu negócio precisa. Um bom exemplo quando falamos de empresas é o objetivo de aumentar as vendas. Por mais que essa seja uma das principais razões de um negócio, esse não é um tipo de meta específica. 

Para especificar mais, é necessário responder às seguintes perguntas:

  • O que eu quero alcançar com essa meta? Aumentar as vendas em 20% até dezembro;
  • Quem serão os responsáveis por ela? Os times do Comercial e do Marketing;
  • Em que lugar ela será realizada? Online;
  • Como ela será conquistada? Com uma estratégia de aquisição e fidelização de clientes;
  • Por que ela deve ser seguida? É preciso aumentar o TPV da empresa.

Se você prestou atenção até aqui, vai notar que deixamos a meta em questão bem específica com a ajuda da metodologia 5W2H – e sua equipe vai estar pronta para dar conta do recado.

O mesmo processo vale para outros tipos de meta, como por exemplo:

  • Reduzir o CAC da empresa;
  • Aumentar a porcentagem de MAU (Monthly Active Users) do seu serviço em 2 meses;
  • Quitar empréstimos;
  • Reduzir os custos fixos em 10% até o próximo trimestre.

E mais qualquer outro objetivo que você tenha para o seu negócio. É possível torná-los todos mais específicos a partir da primeira etapa do método SMART.

Measurable

O segundo passo desse método é de extrema importância, pois de nada adianta determinar metas e torná-las específicas se não for possível medi-las

Vamos supor que uma das metas da sua empresa seja aumentar sua taxa de sucesso. No entanto, se não existe um acompanhamento desse processo, dos resultados alcançados, não existe como ter certeza de que a meta realmente foi cumprida.

Além de ser um tiro no escuro, fazer um plano de ação sem mensurar seus resultados pode implicar em perdas financeiras e também de oportunidades de mercado.

Para garantir que uma meta é mensurável, é preciso responder a essas perguntas:

  • Qual é o resultado esperado? Aumentar a taxa de sucesso do negócio
  • Quanto tempo vai ser necessário para a equipe alcançar a meta? 3 meses

A partir dessas respostas é possível acompanhar o progresso das metas da sua empresa.

Attainable

Não existe lógica em criar metas que não podem ser atingidas, certo? Apesar de parecer uma observação um pouco óbvia para gestores de negócio, metas inatingíveis não são nada incomuns na hora de montar o planejamento estratégico

Para evitar retrabalhos e desperdício de tempo, é fundamental garantir as seguintes respostas:

  • A partir do histórico da empresa, é possível atingir a meta traçada?
  • Os relatórios financeiros da empresa indicam que a meta é atingível sem prejudicar o seu orçamento? 

Esses questionamentos vão servir como um bom termômetro para se certificar de que as metas definidas para o seu negócio são possíveis e, mais do que isso, rentáveis.

Relevant

Na hora de estabelecer as metas do seu negócio, é recomendável ter a certeza de que elas são relevantes tanto para a empresa quanto para o mercado e, especialmente, para o consumidor final.

Metas que não trazem resultados para o negócio, em especial financeiros, não costumam ser uma prioridade. Um objetivo que chega nessa lista prioritária precisa estar alinhado com os principais números da empresa, como o  faturamento, lucro, rentabilidade e número de clientes e vendas realizadas. 

Time based

A última etapa do método SMART é talvez a mais importante de todo o processo, pois é nela que você vai determinar o prazo para cada meta definida. Vale lembrar que é fundamental estipular datas reais, que a sua equipe consiga entregar. 

Por mais que agilidade seja a palavra de ordem para se manter à frente da concorrência, é importante entender que prazos muito estrangulados podem implicar demasiadas horas extras praticadas pela equipe.

Depois de passar pelos pontos da metodologia SMART e conseguir definir boas metas e objetivos para o seu negócio, você já está pronto para dar sequência na elaboração do seu planejamento financeiro empresarial.

2. Faça o diagnóstico da situação atual do seu negócio

Antes mesmo de conseguir planejar os próximos passos do seu negócio, é fundamental entender exatamente como é a situação em que ele se encontra no momento

Aqui é um ótimo exemplo em como é possível aplicar a análise SWOT no planejamento financeiro de uma empresa, pois para contextualizar e avaliar a atual situação do negócio é preciso examinar os pontos positivos e negativos, tempo de mercado, tipo de produtos e serviços que comercializa, o público-alvo, as datas com os maiores picos de venda, a forma como é a feita a comunicação com os clientes, etc. 

Em outras palavras, é necessário fazer o perfil completo do seu negócio. Siga os passos abaixo para fazer o diagnóstico da situação atual da sua empresa:

Coleta de informações

Para entender em que cenário seu negócio se encontra, será necessário coletar informações de diferentes áreas da empresa.

  • Resultados financeiros
  • Desempenho de vendas
  • Nível de satisfação dos clientes
  • Produtividade interna

Análise

Com todas as informações necessárias sobre o seu negócio em mãos, é hora de organizá-las em planilhas e gráficos para que seja possível identificar os pontos fortes e fracos, e também as oportunidades e ameaças

A nossa recomendação é que você concentre todas as informações sobre o seu negócio na mesma ferramenta, para otimizar o processo de análise. Para esse objetivo, o próprio Excel pode dar conta do recado, possibilitando a criação de diversas abas em um mesmo documento e a geração de gráficos em variados formatos. 

Detalhamento dos problemas

A análise completa das informações coletadas vai possibilitar a identificação de problemas nos processos. No entanto, nesta etapa é recomendável descrever cada problema identificado. Os problemas que podem surgir são:

  • Não cumprimento de prazo de entrega
  • Falhas no processo de logística
  • Problemas de controle nos gastos
  • Falhas de comunicação com fornecedores
  • Falta de mensuração de processos

A partir da descrição detalhada de cada problema identificado, é possível determinar as causas e traçar planos de ação para corrigir as falhas e propor processos mais efetivos.

Resolução de falhas

O principal objetivo de fazer o diagnóstico do negócio é solucionar falhas e implementar mudanças. Vai ser nessa etapa que o plano de ação para ajustar os pontos que precisam de atenção e colocá-los novamente em prática. 

Vale lembrar que é essencial comunicar a sua equipe a respeito de todas as mudanças implementadas e alinhar de que forma isso vai impactar a rotina de trabalho de todos.

3. Faça um mapeamento dos custos e despesas

A partir dessa etapa do planejamento financeiro empresarial já é possível entender com clareza onde sua empresa se encontra  e para onde precisa chegar para alcançar os objetivos e metas que você traçou. No entanto, é essencial determinar se a situação financeira do seu negócio comporta seus planos a curto, médio e longo prazo.

Antes de mais nada, é importante entender bem a diferença entre custos e despesas. São elas:

Custos

Os custos são todos os gastos necessários para que o negócio mantenha seu funcionamento, e podem estar relacionados com aquisições de equipamentos, materiais, mão de obra, encargos, infraestrutura e serviços. Muitas despesas recorrentes podem também ser consideradas como um custo, como é o caso do salário dos colaboradores.

Esses custos podem ser divididos entre quatro tipos:

1. Diretos – relacionados ao negócio e aos funcionários

  • Compra de matéria-prima
  • Mão-de-obra direta
  • Materiais para embalagem

2. Indiretos – dedicados à produção

  • Encargos tributários
  • Gastos de energia elétrica envolvida para a produção de um produto (o mesmo vale para empresas que comercializam serviços, pois é preciso de energia para manter o negócio funcionando)
  • Seguros contratados
  • Mão-de-obra indireta
  • Gastos com manutenção

3. Fixos – custos constantes independente do quantidade mensal de vendas

  • Salário dos colaboradores
  • Conta de luz, água e internet
  • Aluguel do espaço da empresa
  • Aluguel de máquinas ou equipamentos 
  • Manutenção de equipamentos

3. Variáveis – variam de acordo com o lucro da empresa

  • Salário dos colaboradores
  • Custos com matéria-prima
  • Embalagens

Despesas

As despesas, por sua vez, são os gastos com investimentos, atividades operacionais e com a gestão corporativa como um todo. Isso quer dizer que são os gastos que garantem o funcionamento da empresa, com foco em seu crescimento e o desenvolvimento de novos projetos. Elas são dividas em dois tipos:

1. Despesas fixas: são aquelas que não variam de acordo com o volume de vendas de produtos ou dos serviços oferecidos, tais como aluguel do imóvel, materiais e equipamentos, salário dos colaboradores, além de mensalidades de serviços contratados. 

Em geral, essas despesas não causam transtornos à administração financeira, pois são gastos recorrentes e previstos nas finanças da empresa.

2. Despesas variáveis: esse tipo de custo pode mudar de acordo com o volume de vendas, tais como comissão sobre venda realizada e hora extra para os funcionários.

Agora que você já tem todos esses dados sobre quanto custa manter a sua empresa, é importante entender quanto de dinheiro entra, e a partir disso determinar sua lucratividade e rentabilidade. Para isso, é necessário fazer o fluxo de caixa do seu negócio. Confira o passa a passo de como fazer esse processo:

Identifique quanto dinheiro a empresa tem em caixa

O primeiro passo é identificar o saldo inicial do seu negócio, ou seja, o valor disponível no caixa da empresa atualmente. Aqui é importante ressaltar que nesse saldo não deve ser considerado valores valores a receber ou entradas futuras, e sim o dinheiro que está na conta naquele momento.

Contar com saldos a receber é uma movimentação incerta e pode acarretar prejuízos para sua empresa por conta do alto nível de inadimplência que muitos negócios sofrem, por isso essa dica pode ajudar a manter a saúde financeira do seu negócio. O melhor cenário é contar apenas com valores que já foram recebidos para evitar furos orçamentários.

Crie uma planilha de registros

Aqui é mais uma parte do planejamento financeiro empresarial em que as planilhas são boas aliadas do gestor de um negócio. 

Nesse documento (que pode ser criado a partir desse modelo do SEBRAE), você deve indicar o saldo inicial, as entradas e saídas em um dia. Em uma nova aba na planilha, você repetir o processo, mas inserir os valores da data do dia seguinte e assim por diante. Dessa forma, você começará a fazer o fluxo de caixa do seu negócio.

A partir do saldo inicial, diminua as despesas (saídas) das receitas (entradas), para obter o saldo operacional, que será somado ao inicial e definirá o saldo acumulado, ou seja, o valor que o seu negócio está faturando no momento.

Faça projeções realistas

O próximo passo é fazer uma projeção do saldo para os dias que estão por vir no calendário. O ideal é fazer essa projeção para, no mínimo, um trimestre, considerando custos fixos e uma estimativa do dinheiro que poderá receber por suas vendas.

Para cada dia, faça os registros do saldo inicial (valor em caixa naquela data), entradas, saídas, saldo operacional (a diferença entre as entradas e saídas) e saldo final (o resultado do saldo inicial somado ao operacional), como na primeira vez.No final, você terá uma média de quanto sua empresa vai gastar ou receber durante esse período e a partir daí, será possível determinar como você pode aplicar o dinheiro do seu negócio.

Mantenha seu fluxo atualizado

A partir das projeções completas, é possível atualizar as linhas da planilha correspondentes aos dias ou meses que se passaram.

É importante fazer a atualização com o saldo efetivo, identificando possíveis mudanças, tomando cuidado para que esse valor não mude o resultado final da sua projeção e você possa comparar o saldo acumulado com o que foi estabelecido na planilha.

Analise bem seus extratos

Verificar extratos bancários é fundamental para que você não contabilize cheques devolvidos, pagamentos não realizados e outros valores de saída como dinheiro em caixa. Vale lembrar que erros como estes podem resultar em um furo no orçamento da sua empresa.

O resultado não é totalmente preciso, porque as projeções de vendas devem ser levadas em consideração. Elas podem mudar e compor um resultado diferente do que havia sido planejado. O que realmente importa é criar um quadro bastante realista.

O cenário ideal é minimizar os erros, calculando bem as entradas e saídas de dinheiro.

Com um fluxo de caixa bem estruturado, é possível identificar problemas facilmente. Então, basta usar as informações para alterar contratos, negociar compras, cuidar bem dos investimentos e criar todas as chances para a sua empresa se dar bem no mercado!

Com os extratos que a Juno disponibiliza, você consegue acompanhar o seu saldo disponível e os valores a receber, direto na plataforma. Assim fica fácil fazer o controle do seu fluxo de caixa.

Para acompanhar os extratos do seu negócio na sua Conta Juno, faça o seguinte caminho:

  1. Acesse sua conta
  2. No menu lateral esquerdo, clique em Conta Juno
  3. Clique em Extrato

Também é possível consultar o extrato e relatórios sobre o seu negócio no menu principal do App Juno.

Leia também: Qual o impacto do fluxo de caixa nas vendas da sua empresa?

Faça a previsão de cenários alternativos

Ainda que prever o futuro não esteja entre as muitas habilidades do gestor de um negócio, o planejamento financeiro empresarial ajuda a preparar o terreno para situações diversas – e em alguns casos, até mesmo adversas. 

Para estar preparado para o futuro, é necessário projetar cenários diversos para o negócio. Nesse ponto do seu planejamento, você já tem dados suficientes em mãos para prever pelo menos três cenários diferentes: um otimista, um realista e um pessimista.

Por mais que uma empresa esteja consolidada e bem estabelecida no mercado, existe sempre a chance de o setor sofrer mudanças, como diferentes e novos perfis de consumo ou até mesmo um cenário mais delicado para negócios físicos como foi a pandemia do coronavírus.

Os cenários funcionam como uma espécie de previsão da empresa, realizada com base em tendências observacionais. É justamente aqui que todos os dados do negócio que foram coletados, planilhados e analisados vão ser costurados dentro dessas diversas possibilidades.

A previsão de cenários vai ajudar a analisar estratégias traçadas, testá-las dentro do contexto proposto e refina-las cada vez mais. Isso funciona muito bem para preparar a empresa para momentos de crise e garantir que nem mesmo em um cenário mais pessimista como este, a saúde financeira entre em risco.

Para construir estes cenários, o futurista e gestor de negócios Peter Schwartz, definir 8 passos principais:

  1. Identificar o tópico focal – definir a questão central da construção de cenário e dar início à fase de coleta de dados. 
  2. Identificar forças-chave no ambiente operacional da empresa – forças que influenciam no sucesso ou fracasso, como clientes, fornecedores, concorrentes, etc.
  3. Analisar forças no macroambiente – tendências que influenciam ou prejudicam o sucesso do negócio, como forças econômicas, fatores sociais e políticos, novas tecnologias, entre outras.
  4. Ranquear por importância e incerteza – classificar as tendências e forças-chave de acordo com o grau de importância para o sucesso da empresa e o grau de incerteza.
  5. Determinar a lógica de cada cenário – a partir dos resultados obtidos é possível desenhar os cenários. Um ponto importante que deve ser levado em consideração é que a definição entre “impacto X incerteza” deverá ser o fio condutor para criar esses cenários. 
  6. Descrever os cenários – considerar todas as incertezas e ações pensadas para cada cenário na descrição. Também é necessário listar os desafios e oportunidades que cada hipótese apresenta.
  7. Analisar cenários criados – gestores e especialistas da empresa vão debater todos riscos e possibilidades relevantes que cada cenário apresenta. Aqui é um outro exemplo de utilização da análise SWOT, pois será necessário determinar forças, fraquezas, ameaças e oportunidades para cada circunstância.
  8. Mensurar – definir indicadores e KPIs que vão nortear o sucesso de cada cenário e possibilitar que os resultados sejam mensurados.

Revise o preço cobrado por suas soluções

Analisar toda a situação financeira da sua empresa significa ir além de apenas fazer o fluxo de caixa. É preciso entender a empresa inteira como um investimento e, nesse sentido, olhar com atenção para aquilo que é responsável por trazer lucratividade para o seu negócio: os produtos e serviços que você vende e, mais especificamente, o preço que você cobra por eles.

“Muita gente acaba falindo o negócio por cobrar errado. A gente vê vários problemas no pricing, na definição do preço desse seu produto. Já vi gente que tava pagando para trabalhar, então o produto não se pagava e ainda dava prejuízo”, afirma a especialista em marketing da Juno, Luísa Barwinski, no episódio #54 do Código Azul.  

Na hora de pensar a precificação dos produtos ou serviços do seu negócio, é fundamental levar em consideração a concorrência, mas também analisar o quanto você pode baratear um item sem prejudicar a lucratividade da sua empresa

Essa lógica é ainda mais relevante quando estamos falando de produtos que têm alta demanda de procura pelos consumidores, pois como é o mesmo produto ou variações de um tipo de item, o que vai fazer o consumidor concretizar a compra serão detalhes, e o preço com certeza entra como um dos fatores decisivos de compra.

Essa é uma análise de mercado e também de estratégia do seu próprio negócio e será necessário colocar em prática pesquisas com o consumidor, estratégias de vendas casadas, baratear custos de logística ao contar com bons parceiros, e  rever a estratégia de produto do seu negócio.

Elabore o orçamento anual da sua empresa

Se você seguiu todos os passos para fazer o seu planejamento financeiro empresarial até aqui, você já tem em mãos (e em planilhas!) todos os dados necessários para criar o orçamento anual do seu negócio. 

Esse documento vai possibilitar uma visualização mais macro da situação financeira do seu negócio, além de tornar possível pensar em estratégias a médio e a longo prazo, sem deixar de considerar a saúde financeira e desenvolvimento da empresa.

Mas o que precisa constar nesta planilha?

  • Despesas
  • Receitas
  • Custos de produção
  • Investimentos
  • Empréstimos
  • Ativos fixos
  • Fluxo de caixa projetado

O orçamento anual sempre deve ser estruturado com base nas informações financeiras do seu negócio dentro de um período determinado, geralmente de 1 ano.

Monitore o planejamento e faça as devidas adaptações

Até aqui, a coluna dorsal do seu planejamento financeiro empresarial está muito bem estruturada, mas de nada adianta colocar todos os passos em prática e não acompanhar o andamento de cada etapa do processo. Essa é a única forma de garantir que seu planejamento está levando o seu negócio para o sucesso. 

Uma dica muito importante: nenhuma das definições de metas e objetivos do seu negócio devem ser encaradas como imutáveis. O monitoramento do planejamento serve justamente para avaliar processos, fazer correções necessárias e manter o que está trazendo bons resultados.

Algumas das conclusões que o monitoramento pode trazer: 

  • Necessidade de corrigir a rota;
  • Contratar mais pessoas;
  • Fazer investimentos;
  • Contratar ferramentas e softwares;
  • Buscar parcerias.

Para colocar esse monitoramento em prática, é preciso determinar os indicadores de desempenho que vão nortear o seu planejamento financeiro empresarial. Em um cenário de negócio, você deve considerar os seguintes KPIs:

Indicadores estratégicos

Esse tipo de KPI está associado com metas de longo prazo da empresa, ou seja, com o futuro do seu negócio, além de estarem diretamente relacionados com a missão e visão da empresa.A partir da análise SWOT, você deve fazer uma análise dos diferenciais do seu negócio, bem como dos fatores internos e externos e então acompanhar e prever os resultados do seu planejamento por um período mais longo do que 1 ano.

Indicadores táticos

Os KPIs táticos têm relação com as ações de cada área da empresa, o que significa que ao contrário dos indicadores estratégicos, permitem uma visão mais micro do desempenho do negócio. 

Os planos de ação analisados por esse tipo de indicador são de médio prazo, mas isso não quer dizer que eles são opostos aos indicadores estratégicos: normalmente são resultados correlatos.

Indicadores operacionais

Geralmente acompanham planos de ação de curto prazo e estão vinculados com a operação do dia-a-dia da empresa. Nesse tipo de KPI, são analisadas cada etapa do processo, e costumam ser designadas diretamente para um colaborador ou equipe.

Como fica a estrutura de um indicador de planejamento?

  • Lançar 4 produtos por ano nos próximos 5 anos, com o objetivo de  conquistar 30% a mais de share no mercado X

Depois de determinar o indicador ou indicadores para o seu negócio, é necessário monitorar para garantir que sua empresa está no caminho certo para atingir as metas definidas.

Erros que você deve evitar na hora de fazer o planejamento financeiro empresarial

a foto mostra uma mulher trabalhando em notebook

Para garantir que o seu planejamento financeiro empresarial seja tudo que a sua empresa precisa, preparamos uma lista com os principais erros que você não pode cometer na hora de colocar em prática tudo que vimos até aqui. Confira:

  • Não separar as finanças pessoais das finanças do negócio;
  • Não organizar relatórios e extratos;
  • Não contar com uma reserva de emergência;
  • Deixar de fazer o acompanhamento dos gastos da sua empresa;
  • Não categorizar as despesas;
  • Investir ou gastar contando com valores que ainda não caíram na conta;
  • Deixar a reserva de emergência na conta corrente do seu negócio;
  • Não fazer análises mercadológicas;
  • Deixar de diversificar em investimentos;

Leia também: 10 erros de gestão de custos que sua empresa não pode cometer

Além de contar com todas as planilhas e gráficos que você criou para fazer o planejamento financeiro da sua empresa, e com esse checklist do que não fazer nessa hora, você também sempre pode contar com a Juno para fazer o acompanhamento e gestão financeira do seu negócio.

Nossos relatórios mostram o faturamento do seu negócio, todas as entradas e saídas de dinheiro, as cobranças pagas e em atraso, a taxa de conversão, o ticket médio e muito mais.

Com o planejamento financeiro da sua empresa em dia, você garante um negócio muito mais rentável, com um crescimento sustentável e a possibilidade de desenvolvimento de mercado muito mais palpável.

Quer aumentar as vendas do seu negócio?

Preencha o formulário abaixo e a nossa equipe entrará em contato!

Tipo de negócio
até 5/mês
até R$ 5 mil

Quer continuar essa conversa? Fale com a gente pelas nossas redes sociais @tamojuno 🤟