Open Banking: o que é, como funciona e vantagens do novo sistema financeiro

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Por Tatiana Michaud
11 min de leitura
17/09/2021

Open Banking: descubra o que é e quais os benefícios dessa tendência que vai modificar para sempre a nossa relação com os bancos.

Para escutar este conteúdo sobre Open Banking, você só precisa dar o play! 😉

Depois da revolução que o Pix do Bacen tem provocado nos meios de pagamento do Brasil, entra em cena o Open Banking, uma tendência que promete mudar o mercado financeiro nacional já em 2021.

A tradução literal para a expressão originalmente em inglês significa “banco aberto”, mas na prática é algo como sistema financeiro aberto. É um conceito no qual as instituições, como bancos e fintechs, precisam dar mais autonomia para que o consumidor compartilhe suas informações financeiras da forma que achar melhor.

O objetivo é que esse compartilhamento de dados aconteça de forma padronizada por meio de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, como é o caso da Juno

Neste artigo, você fica sabendo um pouco sobre o que é o conceito do Open Banking e como ele vai mudar a forma de pensar no compartilhamento de dados financeiros. Vem com a gente!

O que é Open Banking?

Open Banking é um conjunto de tecnologias e normas que vai possibilitar o compartilhamento padronizado de dados por meio de regras determinadas pelo Banco Central. Tudo isso acontece de forma segura e rápida a partir de APIs abertas, que permitem oferecer um ecossistema de serviços e produtos financeiros aos consumidores brasileiros. 

Ou seja, o Open Banking é um sistema que garante maior comunicação entre as instituições financeiras.

Até então, era habitual um cliente manter um relacionamento de longa data com uma mesma instituição financeira (ou até mais de uma em determinados casos). Você já deve ter escutado alguém falar que “eu tenho a conta há tanto tempo, não quero encerrar para não perder meu histórico”, certo?

Pense em todo o registro de crédito e movimentação que esse banco ou instituição conseguia ter desse cliente… São informações como contas pagas, empréstimos já realizados, salários de funcionários, perfil de gastos, prestações entre outros. Toda essa movimentação financeira de um consumidor seguia um fluxo padrão e as informações ficavam presas às instituições financeiras nas quais o cliente é correntista.

A partir do Open Banking, o cliente vira o dono de todo esse histórico de crédito que construiu com o banco no qual possui uma conta e pode pegar suas informações e levá-las para a instituição que preferir, utilizar os serviços financeiros que quiser, sem que seja necessário começar um relacionamento do zero com um banco ou uma fintech. 

É importante citar que esse compartilhamento de dados de clientes com instituições autorizadas pelo Banco Central só ocorrerá se o consumidor autorizar. O cliente vai selecionar quais dados ele deseja compartilhar, para qual finalidade esses dados serão utilizados e o prazo em que os dados ficarão disponíveis. Ou seja, caso o cliente decida encerrar o compartilhamento, ele poderá solicitar isso a qualquer momento.

Vantagens do Open Banking

Quem realmente se beneficia do Open Banking é o consumidor. A partir do momento que os bancos tradicionais deixam de ser os detentores das informações financeiras de seus clientes, mais soluções financeiras podem surgir e com um preço muito mais acessível.

O Open Banking também facilita a análise de crédito no momento em que um consumidor deseja fazer empréstimos — porque as APIs garantem essa comunicação ágil.

Com o auxílio da inteligência artificial, também será possível evitar fraudes. Isso porque tanto os bancos quanto as fintechs podem escanear os gastos do usuário e cruzar informações. Inclusive, diversos países que já implementaram o Open Banking criaram leis e regras bem estruturadas para impedir o mau uso dos dados dos clientes, bem como já elaboraram diretrizes para encerrar o acesso a essas informações caso o cliente não queira mais usar um produto ou serviço.

O novo sistema definitivamente traz mais liberdade na hora de contratar diferentes serviços em cada instituição. Com o Open Banking, você poderá utilizar a conta corrente de uma instituição, investimentos em outro banco e o cartão de crédito de outro completamente diferente. Tudo isso com menos burocracia e ainda mais acesso.

Outra vantagem que essa novidade vai trazer é uma redução de custos nos serviços por ter menos intermediários no processo — e isso é possível graças à integração das APIs. Dessa forma, o mercado e os participantes se tornam mais competitivos e quem se beneficia dessa mudança são os clientes.

Como o Open Banking funciona?

Cada instituição financeira conta com uma determinada quantidade de informações referentes a um cliente. Com o Open Banking, todas elas têm acesso rápido a novos dados necessários para a contratação de um serviço. Esse compartilhamento se dá por meio de uma camada de APIs abertas.

API em português significa Interface de Programação de Aplicações. O maior objetivo dela é garantir a comunicação entre sistemas diferentes.

Quer ver um exemplo bem simples de uso de API no nosso dia a dia?

Pense em um site de e-commerce. Sabe quando você digita o número do seu CEP para definir o endereço de entrega e o sistema preenche automaticamente o nome da sua rua e do seu bairro? Isso ocorre porque existe a integração com uma API — seja a API dos Correios ou a API de outra base de endereços. É a Interface de Programação de Aplicações que retorna esses dados para o site do e-commerce!

Agora que você entendeu que o sistema do e-commerce e o sistema dos Correios, ou de outra base de endereços, conversou entre si, imagine que os bancos e instituições atuais têm informações que circulam apenas dentro de um sistema próprio. Com a chegada da nova tecnologia, os sistemas vão interagir e conversar entre si — mas farão isso apenas somente se o cliente autorizar passar seus dados de um lugar para o outro, tá bom?

Novo sistema financeiro na prática

Por meio do Open Banking, clientes bancários poderão visualizar em um único aplicativo o extrato consolidado de todas as suas contas bancárias e investimentos. Isso quer dizer que quem, por exemplo, possui mais de uma conta bancária ou tem conta em um banco e empréstimo em outro, poderá ver todas as suas informações em um único local. Também será possível, por este mesmo aplicativo, transferir dinheiro ou efetuar pagamentos sem a necessidade de acessar diretamente o site ou aplicativo do banco.

Outro exemplo de aplicação prática que poderá ocorrer graças ao Open Banking é a oferta de produtos e serviços personalizados. Isso ocorrerá da seguinte maneira:

  • Um cliente é correntista do banco A e autoriza a instituição a compartilhar seus dados;
  • O banco do cliente precisa autenticar os dados para repassar as informações a outras instituições;
  • Outros bancos e instituições credenciadas pelo Banco Central têm acesso aos dados;
  • Esses bancos e instituições poderão oferecer melhores condições, produtos e serviços ao cliente do banco A, com propostas mais adequadas ao seu momento de vida.

É importante reforçar que os dados, desde que autorizados pelo cliente, não estarão disponíveis para o público em geral: somente as instituições credenciadas pelo Banco Central terão acesso a eles.

Quer ver mais um exemplo de como o Open Banking pode impactar na vida de um consumidor?

Vamos supor que você seja correntista do banco X e queira fazer um empréstimo. Na proposta apresentada pelo banco X, você considerou a taxa de juros muito alta, mas o banco X não abriu possibilidade de negociação. Você então faz uma pesquisa e descobre que o banco Y tem taxas bem mais atraentes e condizentes com a sua realidade.

Com o Open Banking, você pega todo o seu histórico de crédito com o banco X e leva essas informações para o banco Y. Dessa maneira, o banco Y pode ver que você é um bom pagador, que tem responsabilidade financeira, e você pode pedir uma proposta para comparação da taxa de juros do empréstimo.

Consegue perceber que ocorre uma competição entre as instituições dessa maneira? Se o banco X quiser manter você como cliente, ele terá que oferecer melhores condições, melhor atendimento e uma cesta mais robusta de produtos. O Open Banking realmente coloca o cliente no centro das ações e com muito poder de decisão.

Veja um resumo sobre como o Open Banking vai funcionar:

open banking: como vai funcionar

O Open Banking no mundo

No início de 2018, a Europa regulamentou o Open Banking com a PSD2, uma diretriz de serviços de pagamento. A partir dela, os bancos são obrigados por lei a compartilhar as informações de seu cliente, quando este desejar.

Esse exemplo da Europa é o grande benchmark para outros países que estudam a possibilidade de garantir o Open Banking para seus cidadãos.

A Ásia também já conta com países que adotaram esse modelo de troca de dados entre as instituições financeiras, porém cada um deles conta com sua própria diretriz de funcionamento.

Open Banking no Brasil

No Brasil, a implementação do Open Banking começou oficialmente no dia 1º de fevereiro de 2021, por meio do Banco Central. Esse processo vai acontecer por etapas e tem fases previstas até dezembro de 2021, de acordo com dados divulgados pelo site oficial, Open Banking Brasil

Open Banking: o que é, como funciona e vantagens do novo sistema financeiro - a foto mostra o novo cronograma do open banking liberado pelo banco central

1ª fase (01/02/21): compartilhamento padronizado das informações sobre canais de atendimento, serviços e produtos financeiros tradicionais.

2ª fase (13/08/21): consumidores terão o controle para compartilhar os dados (dados cadastrais, transações em conta, informações de crédito) e compartilhá-los com as instituições de sua preferência se, e quando quiserem.

3ª fase (29/10/21): consumidores terão acesso a serviços como pagamentos e propostas de crédito não apenas nos canais das instituições financeiras.

4ª fase (15/12/21): ampliação do conceito de Open Banking para incluir mais opções de dados que poderão ser compartilhados.

Além das fases de implementação acima, já existe um cronograma previsto pelo Banco Central para continuidade em 2022, veja:

  • 15 de fevereiro de 2022: compartilhamento de serviços e transferências entre contas do mesmo banco e TED;
  • 30 de março de 2022: compartilhamento do envio de propostas de operações de crédito a clientes que aderirem ao open banking;
  • 31 de maio de 2022: compartilhamento de dados de clientes sobre demais operações financeiras, como câmbio, investimentos, previdência e seguros;
  • 30 de junho de 2022: compartilhamento de serviços de pagamento por boleto;
  • 30 de setembro de 2022: compartilhamento de serviços de débito em conta.

Por que a regulamentação do Open Banking é fundamental?

Apesar de parecer uma burocracia, essa regulamentação do Open Banking é fundamental para a segurança do consumidor. A partir do momento que os bancos e as instituições têm acesso aos dados do cliente, o que poderiam fazer com esse conhecimento? É justamente por isso que o Banco Central precisa regulamentar o Open Banking.

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